2016 Dina Rochate estuvo en Malawi

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Esta experiencia está en portugués y en Castellano

O Malawi está localizado na África oriental, com cerca de 17 milhões de habitantes. É um país maioritariamente cristão, com maior número de protestantes do que católicos e com o islão como segunda religião. Está entre os países menos desenvolvidos, com uma baixa esperança média de vida, alta taxa de mortalidade infantil, baixo nível de educação, escassez de recursos e cuidados de saúde. O Malawi é também o país que escolhi para realizar uma experiência de voluntariado, integrada num estágio de cariz humanitário do último ano do Mestrado Integrado em Medicina da Universidade do Algarve, com a duração de 2 meses.

A 31 de Maio de 2016, para além de um forte SIM, na minha bagagem levava muitas dúvidas, receios e ansiedade. Após quase 24 horas em viagem, a chegada à capital foi repleta de emoções com cores, cheiros, confusão e pessoas muito diferentes; Lilongwe apresentava-se como a capital de um pequeno país africano, com poucos recursos e a querer desenvolver-se rapidamente. Mais tarde, 50 km mais para oeste, bem perto da fronteira com a Zâmbia, cheguei a Kapiri, local que me ia acolher durante as semanas seguintes. Os tons alaranjados no céu, as estradas de terra batida, as casas com tijolos de barro e lama, os telhados de palha, as árvore variadas, os bebés às costas das mães, a serem transportados pelos pais, em bicicleta, e os sorrisos muito brancos começaram a aquecer-me o coração.

Fui integrada no dia-a-dia do Hospital Comunitário Nossa Senhora do Monte Carmelo, gerido pelas Irmãs Carmelitas Missionárias, acompanhando o trabalho realizado pelo Dr. John Chimphamba das 07h30 às 17h00. Algumas características hospitalares diferiam das que temos na europa, nomeadamente, o facto de não haver especialidades, havendo uma ala de internamento de adultos masculina e outra feminina, e por isso as patologias podiam ser muito variadas. Havia uma ala de pediatria com centro de desnutrição, ala de maternidade e outro departamento que fazia atendimento externo, abrangendo diferentes áreas como atendimento de pequenas urgências e consultas gerais. Em algumas salas era feito o diagnóstico, aconselhamento e tratamento de HIV. Havia ainda laboratório, farmácia, sala de tratamentos, raio-x e ecografia. Durante o tempo que passei no hospital recebemos em internamento cerca de 1600 pacientes, dos quais cerca de 700 casos eram crianças, e no atendimento externo cerca de 9100 episódios, mais os pacientes com HIV. Contactei com diferentes doenças como a malária, a pneumonia, a tuberculose, patologia do foro cardiovascular e patologia obstétrica. Também tive oportunidade de ver as diferentes manifestações da SIDA e os tratamentos realizados, numa zona com alta prevalência de transmissão HIV.

As maiores dificuldades que passei foram sobretudo ao nível da comunicação, pois não falava o Chichewa (língua oficial) e poucos doentes falavam inglês, a segunda língua oficial. Aprendi a lidar com a força da malária e a morte que vinha com ela, principalmente em crianças; tive de conhecer os hábitos das famílias, as condições em que viviam, as condições económicas e as suas crenças para poder respeitar e entender muitos dos factores que levavam à procura tardia de ajuda médica a crianças muito doentes. Fiz ainda muitos procedimentos, aprendendo a gerir o pouco material disponível. Com esta vivência no meio hospitalar, hoje valorizo as condições e os recursos disponíveis nos nossos hospitais, a relação médico-paciente e acredito que será uma mais valia enquanto profissional de saúde.

Depois do trabalho no hospital estava com crianças que vinham várias vezes por dia, buscar água ao poço, ao lado da casa para voluntários, onde estava alojada. Estas crianças vinham de pequenos povos, muitas vezes andando mais de 10 km, carregando baldes com água para as suas casas. Com elas fazia várias atividades como música, dança, jogos e artes manuais.

Os dias eram passados a viver a experiência do desprendimento de banalidades que fazem parte do meu quotidiano e a pouco e pouco fui-me envolvendo na realidade das pessoas que fui contactando. Aprendi algumas palavras em Chichewa, ia ao mercado para comprar pequenas coisas como tomates e ovos e aprendi a aproveitar as horas de luz natural, pois os cortes de eletricidade eram diários.

Conheci a comunidade de Irmãs Carmelitas Missionárias e a comunidade de Padres Carmelitas Descalços, responsáveis pela paróquia de Kapiri. Tive ainda a oportunidade de ajudar a pintar o recreio da escola dos padres carmelitas e visitei um Eco-grupo organizado pelas irmãs, que tinha como objetivo valorizar a mulher, ensinando a ler, escrever e algumas formas de obterem autonomia económica. Também fui apresentada à comunidade da paróquia de Kapiri, onde ia à Eucaristia todos os domingos. Também aqui a realidade cristã era muito diferente: na assembleia os homens sentavam-se à esquerda e mulheres e crianças à direita; pelo menos 5 momentos de genuflexão e o Evangelho era escutado com a assembleia sentada; a animação da liturgia estava ao cargo de diferentes coros com cerca de 30 pessoas cada e as músicas eram dançadas, com muita festa, ritmo, instrumentos e sorrisos que nunca desvaneciam mesmo quando a Eucaristia se estendia para além das 3 horas de duração habituais! Enfim, algo muito diferente da minha vivência cristã. Tive ainda a graça de ter estado presente na grande festa dos 50 anos de chegada da Comunidade de padres Carmelitas a Kapiri. Nunca tinha assistido a algo assim! Um Jubileu que orgulhou e envolveu todos os cristãos do povo! Num descampado onde habitualmente se jogava futebol, foi construído um grande altar em madeira para receber 2 bispos, mais de 30 padres, mais de 50 religiosas, um coro de 200 pessoas, grupos de dança de crianças e mulheres, e todas as comunidades da paróquia, numa bonita Eucaristia de 5 horas, onde se celebrou a alegria de se ser cristão, com a espiritualidade carmelita desde há 50 anos! Com os paroquianos de Kapiri vi o orgulho em ser cristão, partilha e celebração em comunidade, com alegria e união, mesmo com poucas condições e recursos. Na última Eucaristia, despedia-me da comunidade, agradecendo toda a hospitalidade e a partilha de todos os valores que tinha recebido e disse-lhes que, tal como os apóstolos fizeram quando foram enviados, eu iria voltar à minha paróquia e iria contar à minha comunidade as maravilhas que o Senhor Operou em mim, através deles, na minha nova casa africana! Entre os países africanos, o Malawi é conhecido como o “Warm Heart of Africa” (o coração quente de áfrica) pela hospitalidade calorosa dos seus habitantes, e é principalmente isso que trago na minha bagagem de volta a casa. São muitos os momentos e os rostos que me aquecem o coração e que tornam esta experiência de voluntariado marcante e singular. É por isso que penso que todos somos chamados à Missão: na nossa terra, na escola, no trabalho e até na família. Basta “pararmos” e escutarmos o convite, pois é preciso querer escutá-lo! – Depois, dizer SIM e ser audaz!

Quero agradecer ao PROKARDE pelo apoio nesta experiência, deixando um abraço especial à Irmã Nati Fernandez e à comunidade de irmãs Carmelitas de Kapiri que me receberam sempre com um sorriso! O meu muito obrigada!  

Dina Rochate      

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Malawi se encuentra en el sureste de África y tiene cerca de 17 millones de habitantes. Es un país mayoritariamente cristiano, con más protestantes que católicos y con el Islam como segunda religión. Se encuentra entre los países menos desarrollados, con una baja esperanza de vida, una alta mortalidad infantil, un bajo nivel de educación, con escasez de recursos y de atención sanitaria. Malawi es también el país que elegí para llevar a cabo una experiencia de voluntariado, integrada en el programa de prácticas de carácter humanitario del último año del Master Integrado en Medicina de la Universidad del Algarve (Portugal), la cual tenía una duración de dos meses.

El 31 de mayo de 2016, además de un fuerte SÍ, en mi equipaje llevaba muchas dudas, temores y ansiedad. Después de casi 24 horas de viaje, la llegada a la capital del país fue llena de emociones con los colores, los olores, la confusión y la gente muy diferente; Lilongwe se presentó como la capital de un pequeño país africano con pocos recursos que quiere desarrollarse rápidamente. Más tarde, 50 km al oeste, cerca de la frontera con Zambia, llegué a Kapiri, el lugar que me acogería las semanas siguientes. Los tonos de color naranja en el cielo, las carreteras de tierra, las casas con ladrillos de arcilla y barro, los tejados de paja, los diversos árboles, los bebés a la espalda de sus madres, siendo  transportados por los padres, en bicicleta, y las sonrisas muy blancas empezaron a calentar mi corazón.

Fui integrada en la rutina del Hospital Comunitario Virgen del Carmen, gestionado por las Carmelitas Misioneras, acompañando el trabajo realizado por el Dr. John Chimphamba. Algunas de las características del hospital eran distintas de las que tenemos en Europa, en concreto, no había especialidades, sino dos pasillos de internamiento para adultos, uno masculino y otro femenino, y por lo tanto las patologías podrían ser muy variadas. Había un pasillo de pediatría con centro de desnutrición, el pasillo de maternidad y en otro departamento se hacía la atención externa, cubriendo diferentes áreas tales como atención de pequeñas emergencias y consultas generales. En algunas habitaciones se hacia el diagnóstico, asesoramiento y tratamiento del VIH. Cuentan también con laboratorio, farmacia, sala de tratamientos, de rayos X y ecografía. Durante el tiempo que pasé en el hospital tuvimos que ingresar cerca de 1600 pacientes, de los cuales 700 eran niños, y en la atención externa recibimos aproximadamente 9100 episodios, la mayoría de los pacientes con VIH. Me puse en contacto con diferentes enfermedades como malaria, neumonía, tuberculosis, enfermedades/patologías del foro cardiovascular y patología obstétrica. También tuve la oportunidad de ver las diferentes manifestaciones del SIDA y los tratamientos llevados a cabo en un área con alta prevalencia de la transmisión del VIH.

Las mayores dificultades las he tenido en la comunicación, no hablaba chichewa (lengua oficial) y pocos pacientes hablaban Inglés, la segunda lengua oficial. Aprendí a afrontar la fuerza de la malaria y la muerte que venía con ella, sobre todo en los niños; tuve que conocer los hábitos de las familias, las condiciones en las que vivían, las condiciones económicas y sus creencias con el fin de respetar y comprender muchos de los factores que llevaban a la demora en la búsqueda de ayuda médica para niños muy enfermos. Hice procedimientos, aprendiendo a gestionar el poco material disponible. Con esta experiencia hospitalaria, hoy valoro las condiciones y los recursos disponibles en nuestros hospitales, la relación médico-paciente y creo que esto me aporta mucho como profesional de la salud.

Después del trabajo en el hospital me quedaba con los niños que venían varias veces al día a buscar agua al pozo, al lado de la casa para los voluntarios en la que me alojaba. Estos niños provienen de pequeños pueblos, y a menudo caminando más de 10 kilómetros, llevando cubos de agua para sus hogares. Con ellos hacía varias actividades de música, baile, juegos y artes manuales.

Los días los pasaba viviendo la experiencia del desprendimiento de cosas banales que hacen parte de mi cotidiano y poco a poco fui involucrándome en la realidad con que iba contactando. Aprendí algunas palabras en Chichewa, iba al mercado para comprar cosas pequeñas como tomates y huevos, y aprendí a aprovechar las horas de luz del día, ya que diariamente había cortes de energía.

Conocí la comunidad de Carmelitas Misioneras y la comunidad de Padres Carmelitas Descalzos, responsable de la parroquia de Kapiri. Tuve la oportunidad de ayudar a pintar el patio de la escuela de los Padres Carmelitas y visité un Eco-grupo organizado por las hermanas, que tiene el objetivo valorar a la mujer, enseñándola a leer, escribir y algunos modos de lograr autonomía económica. También me presentaron a la comunidad parroquial de Kapiri, donde iba a misa todos los domingos. También en este caso, la realidad cristiana era muy diferente: en la asamblea los hombres se sentaban a la izquierda y las mujeres y los niños a la derecha; hacían la genuflexión al menos en 5 momentos y durante la proclamación del evangelio la asamblea permanecía sentada; la animación de la liturgia estaba a cargo de diferentes coros con cerca de 30 personas cada uno y los cantos se bailaban con mucha alegría, ritmo, instrumentos y sonrisas, que nunca se desvanecían hasta en eucaristías que iban más allá de las 3 horas habituales! También tuve la gracia de estar presente en la gran celebración del 50 aniversario de la llegada de los Padres Carmelitas a Kapiri. ¡Nunca había visto algo así! ¡Un Jubileo que llenó de gozo e involucró a todos los cristianos del pueblo! ¡En un campo al aire libre, donde habitualmente se juega al fútbol, se construyó un gran altar en madera para recibir 2 obispos, más de 30 sacerdotes, más de 50 religiosas, un coro de 200 personas, grupos de danza de niños y mujeres, y todas las comunidades de la parroquia, en una bonita Eucaristía de 5 horas, donde se celebró la alegría de ser cristianos, con la espiritualidad carmelitana desde hace 50 años! Con los feligreses de Kapiri vi el orgullo de ser cristiano, compartiendo y celebrando en comunidad, con alegría y unión, incluso con pocas condiciones y pocos recursos. En la última Eucaristía, me despedí de la comunidad cristiana, dando gracias por la hospitalidad y el intercambio de todos los valores que había recibido y les dije que, tal como hicieron los apóstoles cuando fueron enviados, volvería yo a mi parroquia y diría a mi comunidad ¡las maravillas que el Señor operó en mí, a través de ellos, en mi nuevo hogar africano! Entre los países de África, Malawi se conoce como el “Warm Heart of Africa” (el corazón caliente de África) por la cálida hospitalidad de sus habitantes, y es principalmente eso lo que traigo en mi equipaje de vuelta a casa. Son muchos los momentos y las caras que calientan mi corazón y hacen que esta experiencia de voluntariado sea una experiencia impresionante y única. Es por eso que creo que todos estamos llamados a la Misión: en nuestra tierra, en la escuela, en el trabajo e incluso en la familia. ¡Es necesario "parar” y escuchar la llamada, pues es necesario querer escucharla! – después decir SÍ y ser audaz.

Quiero agradecer el apoyo de PROKARDE en esta experiencia, dejando un abrazo especial a la hermana Nati Fernández y a la comunidad de hermanas Carmelitas de Kapiri que siempre me recibió con una sonrisa. ¡Muchas gracias!

Dina Rochate